Regina Navarro Lins

A sexualidade do homem atual

Regina Navarro Lins

Ilustração: Lumi Mae

Ilustração: Lumi Mae

Comentando a Pergunta da Semana

A maioria das pessoas que respondeu à enquete da semana acredita que o homem atual sofra com sua sexualidade.

Uma história popular relata o caso de uma jovem que desejava muito viver uma relação de amor e então deixou um bilhete num local onde seria fácil de ser encontrado. A mensagem era a seguinte: “A qualquer pessoa que encontre este bilhete: Eu te amo.”

A visão que durante tanto tempo se teve da mulher, e na qual ela também acreditou, era assim: frágil, desamparada, necessitando desesperadamente encontrar um homem que lhe desse amor e proteção e, mais do que tudo, que desse um significado à sua vida.

Mas quando as mulheres começaram a se liberar da estrutura psicológica que Betty Frieden denominou de mística feminina, os homens ainda estavam imbuídos da crença de que não tinham nada de que se liberar, desprezando o fato de que, no sistema patriarcal, a construção do sexo feminino esteve ligada à construção do sexo masculino e que antes da mística feminina veio o mito da masculinidade.

Apesar de a maioria dos homens ainda perseguir o ideal masculino da nossa cultura — força, ousadia, sucesso, poder, nunca falhar —, eles estão começando a se sentir exaustos. Há algum tempo já se discutem em todo o mundo os prejuízos da busca dessa masculinidade como algo oposto à feminilidade.

A partir de um estudo que durou nove anos, o americano Anthony Astrachan publicou o livro ‘Como os homens se sentem’, onde explica como essa busca leva à perda da autonomia.

Sobre a recusa das mulheres em continuar subordinadas, ele concluiu que apenas 5 a 10% dos homens chegam perto de aceitar as mulheres como iguais, enquanto os demais expressam seus sentimentos de raiva, medo e inveja por meio de uma hostilidade evidente ou dissimulada.

E o que os homens consideraram terrivelmente ameaçador nas mulheres é a combinação de competência e sexualidade.

Para dificultar mais ainda as relações entre os sexos, o sistema patriarcal delega as característica “duras” aos homens e “moles” às mulheres, os homens competem e as mulheres demonstram emoção.

Poucos homens conseguem experimentar a intimidade emocional com a mulher, em vez de somente a sexual. Não é de se estranhar, então, o resultado de um importante estudo sobre sexualidade realizado nos Estados Unidos, que mostrou que quase a metade de homens e mulheres americanos sofrem de disfunção sexual.

Muitas mulheres, por conta de tanta repressão, ainda têm dificuldades no sexo, mas não resta dúvida de que os estereótipos tradicionais de masculinidade inibiram a capacidade de prazer sexual do homem.

Demonstrar ternura, se entregar relaxado à troca de prazer com a parceira é difícil. Perder o controle ou falhar é uma ameaça constante, tornando o sexo uma experiência ansiosa e limitada.

O processo de socialização que transforma os meninos em homens ‘machos’ impede a intimidade dos homens com as mulheres. É impossível ser amoroso quando se é ‘travado’ emocionalmente.

Isso sem falar no treinamento sexual dos meninos quando chegam à adolescência. Ao convencer uma garota a ‘dar’, ganham status entre os amigos e podem se considerar machos realizados. Ou se marca pontos ou é um fracasso.

Sobre a autora

Regina Navarro Lins é psicanalista e escritora, autora de 11 livros sobre relacionamento amoroso e sexual, entre eles o best seller “A Cama na Varanda” e “O Livro do Amor”. Atende em consultório particular há 42 anos e realiza palestras por todo o Brasil. É consultora e participante do programa “Amor & Sexo”, da TV Globo, e apresenta o quadro semanal Sexo em Pauta, no programa Em Pauta, da Globonews. Nasceu e vive no Rio de Janeiro.

Sobre o blog

A proposta deste espaço interativo é estimular a reflexão sobre formas de viver o amor e o sexo, dando uma contribuição para a mudança das mentalidades, pois acreditamos que, ao se livrarem dos preconceitos, as pessoas vivem com mais satisfação.

ID: {{comments.info.id}}
URL: {{comments.info.url}}

Ocorreu um erro ao carregar os comentários.

Por favor, tente novamente mais tarde.

{{comments.title}}

{{comments.total}} Comentário

{{comments.total}} Comentários

Seja o primeiro a comentar

{{subtitle}}

Essa discussão está encerrada

Não é possivel enviar novos comentários.

{{ user.alternativeText }}
Avaliar:
 

* Ao comentar você concorda com os termos de uso. Os comentários não representam a opinião do portal, a responsabilidade é do autor da mensagem. Leia os termos de uso

Escolha do editor

{{ user.alternativeText }}
Escolha do editor

Blog da Regina
Blog da Regina
Blog da Regina
Blog da Regina
Blog da Regina
Blog da Regina
Blog da Regina
Blog da Regina
Blog da Regina
Blog da Regina
Blog da Regina
Blog da Regina
Blog da Regina
Blog da Regina
Blog da Regina
Blog da Regina
Blog da Regina
Blog da Regina
Blog da Regina
Blog da Regina
Blog da Regina
Blog da Regina
Blog da Regina
Blog da Regina
Blog da Regina
Blog da Regina
Blog da Regina
Blog da Regina
Blog da Regina
Blog da Regina
Blog da Regina
Blog da Regina
Blog da Regina
Blog da Regina
Blog da Regina
Blog da Regina
Blog da Regina
Blog da Regina
Blog da Regina
Blog da Regina
Blog da Regina
Blog da Regina
Blog da Regina
Blog da Regina
Blog da Regina
Blog da Regina
Blog da Regina
Blog da Regina
Blog da Regina
Blog da Regina
Topo