Regina Navarro Lins

A dependência emocional que se tem do outro pode gerar hostilidade

Regina Navarro Lins

15/11/2016 07h00

Ilustração: Lumi Mae

Ilustração: Lumi Mae

 

Comentando a Pergunta da Semana

A maioria das pessoas que respondeu à enquete da semana acredita que a dependência emocional é inevitável no casamento.

“Em minha inocência e ignorância, eu atribuía a algumas pessoas o poder de liberar, produzir o amor em mim e de mim. Esse amor pertencia, pois, exclusivamente a essas pessoas, ficando eu delas dependente para sempre. Se, por alguma razão, me deixassem ou não quisessem produzi-lo em mim, eu secava de amor e — o que é pior — ficava em seu lugar, na pessoa e no corpo, uma sangrenta ferida, como a de uma amputação, que não cicatrizaria jamais.”, diz o psicoterapeuta e escritor Roberto Freire em um dos seus livros.

Ele acrescenta que lhe custou muita dor, solidão e desespero aprender que sentir amor era uma potencialidade vital sua, produção criativa própria, e que para amar dependia apenas dele mesmo. A expressão e comunicação do seu amor eram produtos da liberdade pessoal e social conquistada.

Mas não é isso o que acontece com a maioria. Geralmente, no início de um namoro é comum as pessoas depositarem no outro a expectativa de nunca mais ficarem sozinhas, de se sentirem completas, estabelecendo então uma relação de dependência.

A dependência emocional que se tem do parceiro gera ressentimento e hostilidade, quando se percebe o aspecto “perigoso” do ter necessidade.

O psicólogo italiano Aldo Carotenuto acredita que no fundo, todos nos defendemos da necessidade do outro, tanto é verdade que às vezes acabamos por fazer escolhas erradas, escolhas cômodas, buscando uma paz pela qual pagamos qualquer preço: a renúncia de viver a plenitude ou ao menos a promessa de uma experiência diversa.

Na renúncia vivemos não só a falta de autenticidade, mas há algo pior: nós nos bloqueamos e deixamos fracassar miseravelmente uma possibilidade de transformação.

A dependência emocional acentua o medo de ser abandonado. O controle e a possessividade passam então a fazer parte da relação.

Isso se explica pela forma que o adulto aprendeu a viver o amor, em quase todos os aspectos semelhante à da relação amorosa vivida com a mãe pela criança pequena.

Por se sentir constantemente ameaçada de perder esse amor — sem o qual perde o referencial na vida e também fica vulnerável à morte física — a criança se mostra controladora e possessiva, desejando a mãe só para si.

Esse risco é verdadeiro na infância, mas na vida adulta, quando surge uma relação amorosa, passa-se de uma dependência para outra. Agora é por meio da pessoa amada que se tenta satisfazer as necessidades infantis.

Reeditando a mesma forma primária de vínculo com a mãe, o antigo medo infantil de ser abandonado reaparece e a pessoa amada se torna imprescindível. Não se pode correr o risco de perdê-la.

Concordo com o psicólogo italiano Willy Pasini quando diz: “O medo de que ninguém nos possa proteger e a suspeita de ser abandonado e rejeitado são os pesadelos da infância, mas também os fantasmas da maturidade.”

Sobre a autora

Regina Navarro Lins é psicanalista e escritora, autora de 11 livros sobre relacionamento amoroso e sexual, entre eles o best seller “A Cama na Varanda” e “O Livro do Amor”. Atende em consultório particular há 42 anos e realiza palestras por todo o Brasil. É consultora e participante do programa “Amor & Sexo”, da TV Globo, e apresenta o quadro semanal Sexo em Pauta, no programa Em Pauta, da Globonews. Nasceu e vive no Rio de Janeiro.

Sobre o blog

A proposta deste espaço interativo é estimular a reflexão sobre formas de viver o amor e o sexo, dando uma contribuição para a mudança das mentalidades, pois acreditamos que, ao se livrarem dos preconceitos, as pessoas vivem com mais satisfação.

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