Regina Navarro Lins

A paixão pode ser comparada a um estado hipnótico

Regina Navarro Lins

Ilustração: Lumi Mae

Ilustração: Lumi Mae

 

Comentando a Pergunta da Semana

A maioria das pessoas que respondeu à enquete da semana acredita que a paixão atrapalha a percepção de quem é o parceiro.

A paixão atormenta a mente e o corpo, conduzindo muitos a um impasse, um escândalo ou uma tragédia.

Stephen Flemming é um dos líderes do parlamento inglês, com reputação intocável e comportamento familiar exemplar. Isso até se apaixonar pela noiva do filho, Anna.

Os dois começam um relacionamento, mas Anna não está disposta a abrir mão do noivo. Stephen então altera sua rotina para estar com ela em seus encontros furtivos.

Eles sabem o quanto este relacionamento pode abalar as pessoas que amam e destruir suas vidas, mas a paixão é mais forte que a razão. O que acontece? Uma tragédia.

Esta é a sinopse do filme “Perdas e Danos”, de Louis Malle, baseado na novela de Josephine Hart, com Jeremy Irons e Juliette Binoche nos papéis principais.

Na vida real, a principal característica da paixão é a urgência e ela é tão poderosa que pode fazer com que sejam ignoradas todas as obrigações habituais.

Um bom exemplo é o de Edward VIII renunciou ao trono inglês, em 1936, pela paixão que sentia por uma mulher, Wallis Simpson. Se ele a amava mesmo ou o que predominava era uma profunda dependência emocional, nunca saberemos. Viveram juntos 33 anos.

A paixão nos faz olhar o mundo de outra forma. Tudo assume cores e matizes surpreendentes. É possível estar entre muitas pessoas e ficar preso por uma única imagem.

Todos desaparecem, até a realidade se afasta do cenário e a pessoa amada se torna a única presença significativa, a única que nos importa.

Vivemos numa espécie de “solidão a dois”. Uma dimensão minha, interna, de que eu não era consciente, emerge e eu me enriqueço com o que até aquele momento me era desconhecido.

A paixão pode ser comparada ao estado hipnótico. Há uma fixação no ser amado, o que em alguns casos se torna uma obsessão.

Os amantes experimentam um sentimento de incrível plenitude e, simultaneamente, têm a impressão de terem vivido até aquele momento em estado de privação: a presença do outro é fonte de bem-estar que parece ter possibilidades inesgotáveis.

É como se novas percepções e emoções enchessem os nossos canais sensoriais, abrindo à alma outra dimensão. O problema é que não se percebe a pessoa real como ela é, e a paixão é pela imagem que se constrói dela, pelo que se gostaria que ela fosse.

Ansiosos por experimentar as emoções tão propaladas desse amor, quase todos no mundo ocidental constroem a história que bem entendem, sem nem se dar conta disso.

Há quem questione se uma paixão pode ser duradoura. A questão é saber se entre a pessoa real e a imagem que se formou dela existe grande distância. Se existir, em pouco tempo a relação se torna insatisfatória.

Não tendo mais como manter a idealização, por conta da convivência diária, as características de personalidade do outro que não nos agradam, agora são percebidas, comprometendo a vida a dois.

Sobre a autora

Regina Navarro Lins é psicanalista e escritora, autora de 11 livros sobre relacionamento amoroso e sexual, entre eles o best seller “A Cama na Varanda” e “O Livro do Amor”. Atende em consultório particular há 42 anos e realiza palestras por todo o Brasil. É consultora e participante do programa “Amor & Sexo”, da TV Globo, e apresenta o quadro semanal Sexo em Pauta, no programa Em Pauta, da Globonews. Nasceu e vive no Rio de Janeiro.

Sobre o blog

A proposta deste espaço interativo é estimular a reflexão sobre formas de viver o amor e o sexo, dando uma contribuição para a mudança das mentalidades, pois acreditamos que, ao se livrarem dos preconceitos, as pessoas vivem com mais satisfação.

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