Regina Navarro

Vou beijar-te agora…não me leve a mal, hoje é Carnaval!

Regina Navarro Lins

Ilustração de Lumi Mae para o post sobre amor de Carnaval

Ilustração: Lumi Mae


Comentando a Pergunta da Semana

A maioria, 61%, que respondeu à enquete da semana já viveu um amor de Carnaval. Há algo diferente no ar, uma espécie de sentir e agir que só se observa nesse período. Impossível não perceber a sensualidade solta e a excitação brilhando no olhar das pessoas. Confirmando o refrão da música que diz: “Vou beijar-te agora/ não me leve a mal/ hoje é Carnaval”, agora o amor é sem barreiras e pode-se beijar à vontade: ninguém leva nada a mal.

Desejo de beijar, de fazer sexo, mas com muita urgência; afinal, o tempo é limitado. De onde vem a liberdade para as pessoas se tocarem e se sentirem, mesmo sem se conhecerem? Para onde vai o medo de sexo, suas normas e regras, que durante todo o ano contêm e limitam o prazer? De onde surge tanta ousadia?

Tudo indica que a liberação do sexo no Carnaval seja uma questão cultural, estando diretamente ligada à forma como aprendemos a viver o amor. A partir da crença de que somente através da fusão romântica com o outro podemos nos tornar completos, nossa estabilidade emocional passa a depender da continuidade da relação, e para isso não medimos esforços. Sendo o sexo a manifestação mais característica da nossa individualidade, é comum que fique subjugado ao que consideramos adequado à manutenção do vínculo amoroso. O temor de perder o parceiro passa, então, a determinar nossa conduta sexual.

O Carnaval funciona como um período em que as pessoas dão uma trégua à censura que se impõem durante todo o ano. Há mais coragem para experimentar o sexo casual, sem nenhum compromisso. No entanto, homens e mulheres só serão sexualmente livres quando reformularem sua visão do amor e não mais precisarem da desculpa de que só hoje tudo é permitido, porque é Carnaval. De qualquer forma, há algo que nunca pode ser esquecido: a camisinha.